{"id":183,"date":"2009-09-03T09:56:39","date_gmt":"2009-09-03T09:56:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www1.sp.senac.br\/hotsites\/blogs\/revistaiara\/?page_id=183"},"modified":"2015-01-21T14:54:41","modified_gmt":"2015-01-21T14:54:41","slug":"o-vestido-da-reforma-design-e-interdisciplinaridade","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www1.sp.senac.br\/hotsites\/blogs\/revistaiara\/index.php\/o-vestido-da-reforma-design-e-interdisciplinaridade\/","title":{"rendered":"O Vestido da Reforma: design e interdisciplinaridade"},"content":{"rendered":"<h5><b>Regina Barbosa<\/b><\/h5>\n<h6><b>Data de defesa:<\/b> 12\/FEV\/2009<\/h6>\n<h6><b>Institui\u00e7\u00e3o:<\/b> Universidade Anhembi Morumbi<\/h6>\n<p>[su_divider]<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt; padding-top: 15pt;\">Viena me veio. De v\u00e1rias formas e em muitos momentos da vida e se, por um lado, as mem\u00f3rias infantis tendem a ser fantasiosas, a fantasia constru\u00edda amadureceu e recebeu um fermento adicional.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\">Minha m\u00e3e \u00e9 uma colecionadora de trecos, fazedora de coisas, apaixonada por Arte (e aqui cabe um aparte: minha m\u00e3e graduou-se em Artes Pl\u00e1sticas em 1975 na Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo) e sempre foi uma entusiasta das cole\u00e7\u00f5es de fasc\u00edculos comprados em bancas de jornal. Da\u00ed que, nessa nossa paix\u00e3o compartilhada, l\u00e1 pela d\u00e9cada de 80, come\u00e7amos uma cole\u00e7\u00e3o de fasc\u00edculos de Grandes Artistas, o que demandava idas semanais \u00e0 banca de jornal e acordos com o jornaleiro para que guardasse os fasc\u00edculos das semanas das f\u00e9rias passadas no Rio de Janeiro ou em Vit\u00f3ria.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\">A cada semana, eu-crian\u00e7a conhecia, pormeio das brochurinhas de papel couch\u00e9, um novo nome, um novo rosto e uma maneira diferente de ver o mundo, tendo, inclusive, criado rela\u00e7\u00f5es de rejei\u00e7\u00e3o ou profundo afeto no encontro com alguns daqueles artistas. E, no fasc\u00edculo de Klimt, Viena me veio.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\">Se o lugar n\u00e3o foi compreendido como inst\u00e2ncia geogr\u00e1fica imediatamente (a \u00c1ustria ent\u00e3o era, para mim, o lugar onde tinha vivido Sissi ou de onde tinha vindo a Catarina, uma amiga da fam\u00edlia que fugiu da Europa em guerra), tornou-se a fonte daquela forma de olhar que retratava modelos que encaravam o observador, quase o desnudando. E, se as inten\u00e7\u00f5es do rosto de uma Adele Bloch-Bauer (Gustav Klimt, 1907) eram claras, o que acontecia em torno de si era uma confus\u00e3o dourada em que roupas, mobili\u00e1rio e plano de fundo pareciam indistintos.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\">Foi somente na gradua\u00e7\u00e3o em Moda, tendo deixado a primeira em Arquitetura inconclusa, que conheci Klimt em um campo em que n\u00e3o o tinha ainda percebido, mas intu\u00eda, na rela\u00e7\u00e3o entre o grupo Secessionista de Viena e a Reforma do Vestu\u00e1rio, em que se buscava tornar livre um corpo contido numa carapa\u00e7a que em nada se assemelhava ao mundo em que este corpo desejava existir.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\">E ent\u00e3o, novamente, Viena me veio, por meio de um outro austr\u00edaco que me tinha fascinado no curso de Arquitetura. Um artista-arquiteto-ambientalista-designer chamado Hundertwasser<a name=\"iara_v2_n1_10_1.1\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_1.2\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[1]<\/span><\/a> que, com sua teoria das cinco peles e de como cada pele tem papel fundamental na rela\u00e7\u00e3o com as outras, me fez pensar nas intera\u00e7\u00f5es entre fazer e refletir para quem fazemos, sendo esse \u201cquem\u201d, algu\u00e9m que se relaciona com o mundo. E, afinal, que mundo \u00e9 esse?<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\">Assim, voltar ao in\u00edcio do s\u00e9culo XX pareceu inevit\u00e1vel, na tentativa de entender o que \u00e9 construir solu\u00e7\u00f5es para um mundo que, na vis\u00e3o do artista, fazia tudo aquilo que envolve o corpo se amalgamar, talvez buscando uma solu\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica que tornasse poss\u00edvel retratar o conceito de Gesamtkunstwerk, a Obra de Arte Total, tendo como modelo a \u00f3pera<a name=\"iara_v2_n1_10_2.1\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_2.2\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[2]<\/span><\/a> que, ao combinar m\u00fasica, teatro, dan\u00e7a, literatura e as artes decorativas, aproxima as artes ditas maiores das menores, modalidades indistintas aos olhos dos secessionistas. Desta forma, os objetos cotidianos deveriam ser pensados como parte de um todo que proporcionaria ao indiv\u00edduo vivenciar a experi\u00eancia da Arte em todos os momentos da sua vida.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\">Contudo, talvez, este projeto resultasse em algo excessivamente fiel a um palco, onde a vida seria apenas uma encena\u00e7\u00e3o e teria sido afastada do ideal de verdade nua buscada pelos Secessionistas. Assim, n\u00e3o surpreende que a Obra de Arte Total tenha encontrado o decl\u00ednio como modelo art\u00edstico e como empreendimento empresarial, uma vez que deixava de lado a capacidade mut\u00e1vel da natureza humana e n\u00e3o conferia reconfigurabilidade<a name=\"iara_v2_n1_10_3.1\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_3.2\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[3]<\/span><\/a> aos seus projetos, ou seja, a possibilidade de permitir ao usu\u00e1rio que (re)projete seu mundo.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\">No segundo cap\u00edtulo da disserta\u00e7\u00e3o, me ative mais demoradamente no\u00a0 Vestido da Reforma (Reformkleid), que \u00e9 pensado como um aspecto deste projeto de materializa\u00e7\u00e3o de um mundo em transforma\u00e7\u00e3o, mas que tamb\u00e9m oferecia-se como solu\u00e7\u00e3o ideal e permanente em contraposi\u00e7\u00e3o a um modelo que n\u00e3o permitia a frui\u00e7\u00e3o da vida na cidade e a participa\u00e7\u00e3o social das mulheres<a name=\"iara_v2_n1_10_4.1\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_4.2\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[4]<\/span><\/a>. Ora, o vestir-se n\u00e3o respeita modelos que se desejam permanentes<a name=\"iara_v2_n1_10_5.1\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_5.2\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[5]<\/span><\/a> e \u00e9 intr\u00ednseco \u00e0 modernidade o anseio por mudan\u00e7as<a name=\"iara_v2_n1_10_6.1\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_6.2\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[6]<\/span><\/a>.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\">Ao investigar a Secess\u00e3o Vienense e a produ\u00e7\u00e3o material da Wiener Werkst\u00e4tte (Oficina de Viena), pretendi apontar sem, contudo, esgotar a discuss\u00e3o, os reflexos percebidos da atividade de constru\u00e7\u00e3o material de um mundo em transforma\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o do designer na contemporaneidade, que, se por um lado, n\u00e3o pretende construir uma Gesamtkunstwerk, impens\u00e1vel de formular no mundo plural em que vivemos, \u00e9 ele mesmo, e at\u00e9 por estar neste mundo, um gesamtkunstwerker, um articulador de discursos, atuando por vezes em campos da atividade projetual que n\u00e3o os da sua forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e que tem se mostrado capaz de agregar em torno de si uma gama de outros profissionais que possam dialogar e buscar solu\u00e7\u00f5es que contemplem as m\u00faltiplas realidades que se lhes apresentam.<\/h5>\n<p>[su_divider]<\/p>\n<h5 style=\"padding-bottom: 3pt; padding-top: 15pt;\"><b>NOTAS<\/b><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\"><a name=\"iara_v2_n1_10_1.2\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_1.1\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[1]<\/span><\/a>. RESTANY, Pierre. Hundertwasser: o pintor-rei das cinco peles. Editora Taschen, 2008.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\"><a name=\"iara_v2_n1_10_2.2\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_2.1\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[2]<\/span><\/a>. KALLIR, Jane. Viennese Design and the Wienner Werkst\u00e4tte. Nova Iorque: Galerie St. Ettiene\/George Braziller, 1986.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\"><a name=\"iara_v2_n1_10_3.2\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_3.1\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[3]<\/span><\/a>. KRIPPENDORFF, Klaus. Design Centrado No Ser Humano: uma necessidade cultural. Estudos em Design. Rio de Janeiro: Volume 8, N\u00famero 3, p. 87-98, setembro de 2000.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\"><a name=\"iara_v2_n1_10_4.2\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_4.1\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[4]<\/span><\/a>. HOUZE, Rebecca. Fashionable Reform Dress and the Invention of \u201cStyle\u201d in Fin-de-Si\u00e9cle Vienna. Fashion Theory. Reino Unido: volume 5, Issue 1, p. 29-56, mar\u00e7o de 2001.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\"><a name=\"iara_v2_n1_10_5.2\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_5.1\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[5]<\/span><\/a>. LIPOVETSKY, Gilles. O Imp\u00e9rio do Ef\u00eamero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1996.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-bottom: 15pt;\"><a name=\"iara_v2_n1_10_6.2\"><\/a><a href=\"#iara_v2_n1_10_6.1\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[6]<\/span><\/a>. SIMMEL, Georg. A Moda. Iara Revista de Moda, Cultura e Arte. S\u00e3o Paulo: Volume 1, N\u00famero 1, p. 163-190, abril-agosto 2008.<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regina Barbosa Data de defesa: 12\/FEV\/2009 Institui\u00e7\u00e3o: Universidade Anhembi Morumbi [su_divider] Viena me veio. De v\u00e1rias formas e em muitos momentos da vida e se, por um lado, as mem\u00f3rias infantis tendem a ser fantasiosas, a fantasia constru\u00edda amadureceu e recebeu um fermento adicional. 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